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Modelos sem ponteiros, joysticks no lugar da coroa e discos coloridos para indicar as horas. Na alta relojoaria, a suíça Vanguart se firma como a jovem rebelde entre as marcas independentes.
Fundada em 2017, combina trabalho artesanal, ousadia criativa e produção restrita a cerca de 50 relógios por ano.
A marca ganhou projeção recentemente uando o jornal The Wall Street Journal revelou uma encomenda de Sam Altman: sete relógios personalizados para ele e seu núcleo na OpenAI.
Pelo preço de fábrica, as peças somariam US$ 1,26 milhão — antes da personalização. Entre as inscrições, uma máxima: “Computação é destino”.
A ascensão também passa por conexões valiosas. Sem campanhas publicitárias, a Vanguart conquistou colecionadores como James Harden, que virou acionista, Ed Sheeran, John Mayer e Michael Jordan.
Cerca de um terço da produção atende a encomendas privadas do setor de tecnologia. A aposta é conquistar quem já tem os clássicos e procura excelência técnica, engenhosidade mecânica e liberdade para experimentar.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Na alta relojoaria, algumas marcas exercem um fascínio particular sobre os colecionadores. Fora dos grandes conglomerados de luxo, as manufaturas independentes têm espaço para desafiar convenções estéticas e mecânicas — honrar a tradição relojoeira enquanto inventam o futuro.
A liberdade de criação está, por exemplo, na inspiração espacial da MB&F e na incorporação da engenharia de F1 pela Richard Mille. Nos mostradores futuristas da Urwerk, na releitura da relojoaria iluminista pela F.P. Journe e no acabamento rigoroso de Philippe Dufour. Com menos de uma década de história, a suíça Vanguart se firma como a jovem rebelde do grupo.
Como acontece no ateliê de toda independente, nas oficinas da maison em La Chaux-de-Fonds, o trabalho é artesanal e a produção, escassa — restrita a cerca de 50 unidades por ano. A ruptura com as convenções, porém, costuma ser radical.
Modelos sem ponteiros, joysticks no lugar da coroa, tecnologia aeroespacial aplicada à micromecânica clássica, discos coloridos para indicar as horas… Suas soluções pouco convencionais funcionavam como uma espécie de código de status, reconhecido sobretudo por quem está no topo da pirâmide financeira. Até recentemente.
Quando o jornal The Wall Street Journal (WSJ) revelou um pedido de Sam Altman à pequena fabricante suíça, a Vanguart ganhou projeção para além do círculo ultrarrestrito de seus clientes.
O cofundador e CEO da OpenAI encomendou um relógio sob medida. Um não, sete — para ele e seu núcleo mais próximo no alto escalão da companhia.
As peças trazem gravadas obsessões (e piadas internas) do grupo. No lugar do número 12, aparece o logotipo da empresa. No botão da coroa, a inscrição “SCALING” faz referência à aposta em melhorar a inteligência artificial com mais dados e mais poder computacional.
E, ao redor do rotor, está a máxima de Altman: “Compute is Destiny”, ou “Computação é destino”.
A inscrição mais curiosa, no entanto, fica no fundo da caixa: “if AGI.aligned: deploy()”. Escrita na linguagem de programação Python, significa: “Se a inteligência artificial geral estiver alinhada, coloque-a em funcionamento”. Uma referência ao desafio de desenvolver uma IA capaz de realizar tarefas intelectuais tão bem quanto os humanos.
O pedido teria levado de seis meses a um ano e mobilizado pelo menos um terço dos 33 funcionários. O valor pago não foi divulgado. Mas, pelo preço de fábrica do Orb em titânio, os sete relógios somariam US$ 1,26 milhão — antes da personalização.
O modelo para a OpenAI reforça a fama da Vanguart como “relógio de CEO”. Cerca de um terço da produção atende a encomendas privadas de empresários e investidores de tecnologia — a maioria sob acordos de confidencialidade.
Entre os raros clientes conhecidos estão também Gerard Lopez, cofundador da Mangrove Capital Partners, uma das primeiras a apostar no Skype, e David J. Adelman, fundador e CEO da Darco Capital.
Xô, ponteiro
A repercussão das peças de Altman mostrou o alcance de um negócio que combina ousadia criativa, exclusividade e conexões valiosas. No comando da marca, fundada em 2017, estão dois especialistas em mecanismos complexos, um designer e um financista.
O CEO Axel Leuenberger, o diretor técnico Jérémy Freléchox e o designer Thierry Fischer se conheceram na Audemars Piguet Renaud & Papi, ateliê de alta tecnologia e inovação da marca. Vindo do mercado financeiro, o chairman Mehmet Korutürk conecta a oficina suíça a empresários, investidores e celebridades.
“Uma nova marca de relógios hoje precisa conquistar o direito de existir”, diz Korutürk à plataforma Robb Report. “Partimos de um profundo conhecimento da alta relojoaria tradicional, mas não estamos sobrecarregados por uma história que nos diga como um relógio Vanguart deve ser.” Respeitar o passado sem ser limitado por ele.

Os sete relógios encomendados por Sam Altman teriam consumido de seis meses a um ano e mobilizado um terço dos 33 funcionários da manufatura suíça (Foto: Instagram @vanguart)

No relógio para a OpenAI, ao redor do rotor, está a máxima de Altman: “Compute is Destiny” (Foto: Instagram @vanguart)

Na linguagem de programação Python, a inscrição no fundo da caixa “if AGI.aligned: deploy()” significa: “Se a inteligência artificial geral estiver alinhada, coloque-a em funcionamento” (Foto: Instagram @vanguart)

O quarteto fundador da Vanguart: o CTO Jérémy Freléchox (ao centro, em pé), o CEO Axel Leuenberger (à direita, em pé), o diretor criativo Thierry Fischer (à esquerda, em pé) e o chairman Mehmet Korutürk (Foto: Instagram @vanguart)

O uso de um relógio por colecionadores influentes como Michael Jordan dá chancela à marca. Na imagem, o ex-jogador usa a versão em titânio do Black Hole Tourbillon, cuja produção foi limitada a oito unidades, a partir de US$ 430 mil cada uma (Foto: Instagram @niccoloy)

A nutricionista e modelo Maye Musk, mãe de Elon, é cliente da Vanguart (Foto: Instagram @vanguart)

Lançado em 2021, o Black Hole Tourbillon não tem ponteiros. Três discos giratórios indicam horas, minutos e segundos (Foto: vanguart.com)

Feito sob encomenda para um colecionador do Oriente Médio, o Black Hole Tourbillon “Yas Edition” está avaliado em cerca de US$ 900 mil (Foto: gphg.org)
O primeiro modelo da manufatura de La Chaux-de-Fonds, o Black Hole Tourbillon, só foi lançado em 2021 — e causou frisson. A ruptura começou pelos ponteiros. Ou melhor, pela ausência deles.
Três discos giratórios indicam horas, minutos e segundos, em um desenho semelhante a um vórtice. O ajuste das horas é feito por um comando semelhante a um joystick.
Com tiragens ultralimitadas, as primeiras versões em titânio custavam US$ 320 mil. As mais recentes em ouro rosa e numerais árabes gravados à mão chegam facilmente a US$ 440 mil.
Sob encomenda, os preços podem ir muito, mas muito além. Feito para um colecionador do Oriente Médio, o Black Hole Tourbillon “Yas Edition” está avaliado em cerca de US$ 900 mil.
Projetado como uma homenagem aos Emirados Árabes Unidos e ao brilho da Era de Ouro do Islã, a peça conta com uma caixa em ouro branco de 173 gramas e um mostrador de três discos concêntricos com os algarismos gravados à mão — um trabalho que consumiu cerca de 150 horas.
A segunda linha da casa relojoeira, batizada Orb, trouxe os ponteiros de volta e também uma complicação inédita: um seletor que permite escolher entre corda manual e automática.
Dois anos depois de sua chegada ao mercado, em abril, o modelo ganhou duas versões em cerâmica: rosa com titânio e azul com ouro rosa, em séries de 25 peças cada. Os tons pastéis aparecem até nos componentes internos, reproduzidos com micropintura adaptada da indústria automotiva.
A depender da combinação de materiais da caixa, seus preços variam de US$ 165 mil a US$ 220 mil. A proposta é conquistar quem busca algo além dos clássicos da alta relojoaria. “Este não seria o primeiro relógio de ninguém”, diz o chairman.
No pulso de quem interessa
A ascensão meteórica da casa relojoeira se deve em grande parte a uma estratégia capitaneada por Korutürk. Sem campanhas publicitárias, tampouco lojas físicas, graças à sua rede de contatos, ele fez a Vanguart chegar a “quem interessa”.
Jantares e encontros privados em restaurantes estrelados e a bordo de iates, durante eventos como o Festival de Cannes e as semanas de moda de Paris e Milão. Assim, a Vanguart começou a aparecer, sem alarde, nos pulsos de uma clientela com dinheiro para comprar e influência para despertar o desejo de outros.
Uma das sacadas foi levar os relógios aos grandes colecionadores. Para além do status, eles estão em busca de excelência técnica, ousadia estética e engenhosidade mecânica.
“Entendem de mecanismos, acabamento, procedência e design”, explica Korutürk. “Conseguem identificar imediatamente quando algo é derivativo. E isso impulsiona marcas jovens como a nossa a ter um ponto de vista muito claro.”
O primeiro a se render à ousadia da Vanguart foi o jogador de basquete James Harden. O chairman conheceu o empresário do astro da NBA em um evento no Vale do Silício. E, em dezembro de 2021, Harden se juntou à marca não apenas como embaixador, mas também como acionista.
Depois dele vieram três colecionadores megarrespeitados — os músicos Ed Sheeran e John Mayer e o ex-jogador do Chicago Bulls Michael Jordan.
A lista hoje inclui também a tenista Elena Rybakina, os cantores Bad Bunny e BamBam, os atores Michael B. Jordan e Johnny Depp, os modelos Alton Mason, Helena Christensen e Maye Musk, mãe de Elon Musk… and counting.
A ambição da Vanguart, porém, vai além de conquistar novos pulsos. Como promete Korutürk: “Estamos apenas começando a mostrar o que nossa filosofia é capaz de produzir”.
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Fonte: Neo Feed
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