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Calma: o preço das picapes e SUVs a diesel não vai disparar com novo IPI

Para incentivar o uso de tecnologias mais sustentáveis nos automóveis, o Governo Federal lançou oficialmente o IPI Verde, que entra em vigor daqui a 90 dias. O objetivo é cobrar o IPI dos automóveis de acordo com classificações de potência e eficiência, de forma que carros menos poluentes e mais sustentáveis sejam beneficiados. Porém, no caso […]


Para incentivar o uso de tecnologias mais sustentáveis nos automóveis, o Governo Federal lançou oficialmente o IPI Verde, que entra em vigor daqui a 90 dias. O objetivo é cobrar o IPI dos automóveis de acordo com classificações de potência e eficiência, de forma que carros menos poluentes e mais sustentáveis sejam beneficiados.

Porém, no caso dos veículos que não se encaixam nesses padrões, o IPI ficará maior. Estamos falando, especialmente, das picapes e SUVs a diesel. O aumento do imposto, porém, será menor do que se imagina.

Mas qual será o aumento real desses modelos? Conversamos com o consultor automotivo Milad Kalume Neto, que nos deu uma resposta tranquilizante: “Haverá aumento, mas não é algo extraordinário.”

Para entender isso, vamos rever as novas regras impostas pelo programa (veja as tabelas no final do texto).

Para veículos de passeio — onde se encaixam os SUVs a diesel —, a nova alíquota base é de 6,3%. A partir daí, ela sofre aumentos ou reduções, de acordo com o tipo de motorização (flex, gasolina, híbrido, diesel, etc), eficiência energética, potência, reciclabilidade, desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção.

Chevrolet Trailblazer High Country 2025 testada por QUATRO RODAS
SUVs a diesel serão mais penalizados, mas a diferença máxima entre a alíquota atual e a do IPI verde será de apenas 2,99%, no máximo (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Por terem motores a diesel, os SUVs recebem um aumento de 12% na alíquota, chegando a 18,3%. Na simulação feita pelo especialista, ele imaginou o pior cenário possível, onde eles não atendem aos quesitos de reciclabilidade, desempenho estrutural e tecnologias de assistência à direção – logo, não recebendo nenhum desconto.

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Os SUVs a diesel mais potentes do Brasil (como o Discovery 130 e o Mercedes GLE 400d) são híbrido leve, logo, têm um aumento de 4% no IPI e não de 5,5%, que é a alíquota para o pior cenário possível. 

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Como todos os SUVs a diesel do Brasil têm mais de 115 cv, eles serão penalizados nesse quesito, que pode variar entre 1,5% e 4% de aumento na alíquota. Então, no pior dos casos, o IPI dos SUVs a diesel chegará no máximo em 21,8%.

Parece um valor absurdo, mas não chega a tanto, afinal, a alíquota atual é de 18,8%. Uma diferença de apenas 3 pontos percentuais.

DEFENDER 110
Apesar da potência, SUVs a diesel com sistema híbridos leves terão penalidade bem menor que os puramente a combustão (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Para entender como isso afeta o mundo real, vamos considerar que o preço de um carro, antes de todos os impostos, seja R$ 300.000. Com a alíquota atual de 18,8%, seu preço final seria de R$ 356.430. Para melhor entendimento, não estamos considerando as margens das concessionárias.

Agora, considerando um IPI de 21,8%, o mesmo carro passa a ter preço final de R$ 365.400. É um aumento de R$ 8.970, ou de 2,52%, aproximadamente.

Como ficam os preços das picapes diesel com o novo IPI

Chevrolet S10 100 Anos
O IPI base da picape será menor que o dos carros de passeio, fazendo com que a diferença máxima entre a alíquota atual e a do IPI verde seja de apenas 1,2% (Fernando Pires/Quatro Rodas)

No caso das picapes, o aumento é ainda menor. Utilitários e veículos comerciais leves terão uma alíquota base menor, de 2,9%. Ao imaginar o pior cenário possível, as caminhonetes diesel terão uma alíquota máxima de 6,4%. Atualmente, seu IPI é de 5,2%.

Considerando que uma picape média a diesel custe R$ 300.000, seu preço final com o IPI atual de 5,2% seria de R$ 315.600. Nas regras do IPI verde, o novo valor passa a ser de R$ 319.200. É um aumento de R$ 3.600, ou 1,14%.

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Para Milad, o ponto chave do aumento da alíquota para os carros a diesel não está exatamente no quanto que eles ficarão mais caros, mas sim na diferença entre eles e os veículos menos poluentes.

Uma boa forma para entender isso é observar as penalidades em relação à motorização. O Jeep Commander com motor a gasolina sofrerá uma penalidade de 6,5%, enquanto as versões com motor a diesel terão penalidade máxima de 12%. 

O maior efeito do novo IPI Verde poderá ser, no futuro, a eletrificação das picapes médias e dos SUVs diesel – algo que, na prática, já vem sendo trabalhado por alguns fabricantes.

Nova base de cálculo do IPI Verde

Carros de passeio

Alíquota base: 6,3%

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Critério 1: Fonte de energia e tecnologia de propulsão

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Elétrico–2,0
Híbrido recarregável flex-fuel/etanol-2,0
Híbrido completo flex-fuel/etanol-1,5
Híbrido leve flex-fuel/etanol-1,0
Etanol-0,5
Flex-fuel 0,0
Híbrido recarregável gasolina+2,0
Híbrido completo gasolina+3,0
Híbrido leve gasolina+4,5
Híbrido recarregável diesel+3,0
Híbrido completo diesel+4,0
Híbrido leve diesel+5,5
Gasolina+6,5
Diesel+12,0
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Critério 2: Eficiência energética

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Eficiência energética atende ao item 2 do Anexo III-2,0
Eficiência energética atende ao item 3 do Anexo III-1,0
Eficiência energética não atende ao item 2 ou 3 do Anexo III0,0

Critério 3: Potência (kW)

kW (cv)Variação de alíquota
(pontos percentuais)
<= 55 kw (75 cv)-2,15
<= 66 kw (90 cv)-1,75
<= 72 kw (98 cv)-0,25
<= 85 kw (115 cv)0,0
<= 105 kw (143 cv)+0,75
<= 132 kw (179 cv)+1,5
<= 165 kw (224 cv)+3,0
<= 200 kw (272 cv)+3,5
<= 240 kw (326 cv)+4,0
<= 290 kw (394 cv)+6,25
> 290 kw (394 cv)+6,50

Critério 4: Desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Atende ao item 5 do Anexo IV-1,0
Não atende ao item 5 do Anexo IV0,0

Critério 5: Reciclabilidade veicular

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Reciclabilidade veicular atende ao item 17 do Anexo III ao Decreto nº 12.435, de 15 de abril de 2025.-2,0
Reciclabilidade veicular atende ao item 18 do Anexo III ao Decreto nº 12.435, de 15 de abril de 2025.-1,0
Reciclabilidade veicular não atende ao item 17 nem ao item 18 do Anexo III ao Decreto nº 12.435, de 15 de abril de 2025.0,0

Comerciais leves

Alíquota base: 3,9%

Critério 1: Fonte de energia e tecnologia de propulsão

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Elétrico-2,0
Híbrido recarregável flex-fuel/etanol-2,0
Híbrido completo flex-fuel/etanol-1,5
Híbrido leve flex-fuel/etanol-1,0
Etanol-0,5
Flex-fuel 0,0
Híbrido recarregável gasolina+0,5
Híbrido completo gasolina+1,0
Híbrido leve gasolina+1,75
Híbrido recarregável diesel+1,0
Híbrido completo diesel+1,5
Híbrido leve diesel+1,5
Gasolina+2,25
Diesel+2,5

Critério 2: Eficiência energética

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Eficiência energética atende ao item 2 do Anexo III-2,0
Eficiência energética ao atende item 3 do Anexo II-1,0
Eficiência energética não atende aos itens 2 ou 3 do Anexo III0,0

Critério 3: Potência (kW)

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
<= 85-0,25
<= 1050,0
<= 132+0,25
<= 165+0,5
<= 240+1,0
<= 290+2,0
> 290+3,0

Critério 4: Desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção

Variação de alíquota
(pontos percentuais)

Atende ao item 5 do Anexo IV-1,0
Não atende ao item 5 do Anexo IV0,0

Critério 5: Reciclabilidade veicular

Variação de alíquota
(pontos percentuais)
Reciclabilidade veicular atende ao item 17 do Anexo III ao Decreto nº 12.435, de 15 de abril de 2025.-2,0
Reciclabilidade veicular atende ao item 18 do Anexo III ao Decreto nº 12.435, de 15 de abril de 2025.-1,0
Reciclabilidade veicular não atende ao item 17 nem ao item 18 do Anexo III ao Decreto nº 12.435, de 15 de abril de 2025.0,0



Fonte: Quatro Rodas

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